Em 1992 - 25 anos depois da participação numa guerra que marcou gerações e uma nação inteira, um pequeno grupo de ex- combatentes resolveu tentar o reencontro, restringindo-o, apenas por questões logísticas, à sua própria Companhia de Caçadores (pouco mais de uma centena de homens).

Não foi tarefa fácil a localização desses homens que as contingências da vida haviam espalhado por todos os cantos do país e alguns até pelo estrangeiro.
Timidamente e ainda com medo do reavivar das feridas que a guerra provocara, decidi comparecer a esse primeiro reencontro com aqueles homens que, durante cerca de três anos, constituíram, na prática, a minha família.
Desde esse dia não falto ao encontro anual, que nos convoca os sentimentos mais profundos de fraternidade. Pois haverá factor de maior união fraternal que o compartilhar a solidão, o medo, a dor física e até a morte violenta de companheiros de armas?

Logo no primeiro encontro verifiquei como que um acordo tácito de não se abordarem os episódios dolorosos da guerra. Como se todos temêssemos avivar as recordações que tínhamos bem adormecidas!

Pelo contrário, as horas de conversa são preenchidas com as lembranças dos episódios curiosos e hilariantes, todos eles impregnados da ternura que a guerra obrigara a sublimar.
Muitos desses episódios envolviam a população nativa da Guiné que era uma novidade na vida de todos nós. São alguns desses episódios que decidi trazer para aqui, aproveitando o extraordinário potencial de partilha que a Internet oferece.
Em forma de crónica jornalística aqui deixo pequenas histórias que eu próprio vivi na Guiné, no tempo da Guerra Colonial. Dedico-as a quem as viveu também, estas e outras semelhantes.
Para todos os outros, pretendo apenas que constituam testemunhos vividos do que toda uma geração fez em África, para além de matar... e de morrer!...
              [Diamantino Pereira Monteiro - ex-Alferes Miliciano]